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https://www.wealthmanagement.com/artificial-intelligence/anthropic-launches-claude-for-financial-advisors
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Alvaro Machado Dias
Neurocientista, professor livre-docente da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e sócio do Instituto Locomotiva e da WeMind
Descrição de chapéu
Mercado financeiro será o próximo alvo de empresas de IA
- Solução de problema matemático mostrou que a tecnologia entende questões que merecem atenção antes de resolvê-las
- Pauta mais valiosa é a das finanças, a próxima vítima de Anthropic e OpenAI. 20.set.2026 às 7h00
- A solução do problema de Navier-Stokes, um dos maiores da matemática, confirmou que a disciplina vive seu momento AlphaFold, aquele em que a inteligência artificial resolve problemas que definiam a fronteira de um campo e obriga os especialistas a reconsiderar seu papel. Porém, nessa discussão, o fator mais importante para a sociedade passou batido.
A OpenAI colocou 10 mil agentes no problema porque soube que a solução estava iminente. Os matemáticos mais adiantados usavam o Codex, sua ferramenta de programação, e a prova publicada segue, segundo eles, ponto a ponto a estratégia que adotavam. A empresa disse que não tinha como saber se o modelo foi treinado com esses dados.
Dias depois veio a segunda coincidência: um matemático alemão que passou meses discutindo um problema com o ChatGPT viu a solução sair do mesmo lugar, possivelmente construída sobre o seu trabalho.
Seria simples se fosse só uma questão de saber se a chavinha para não entregar seus dados ao treinamento é de mentira. O ponto é que essas empresas não precisam treinar seus modelos com dados privados para extrair vantagem sem paralelo; basta lerem o que pesquisadores de destaque, altos executivos e funcionários públicos estão discutindo para saber quais questões merecem a atenção seletiva dos seus modelos e bilhões de dólares, 24/7, no mundo todo. E nenhum domínio dá o retorno das finanças.
Essa é a razão fundamental para eu acreditar que, após programação e matemática, o mercado financeiro será o próximo. Mas há outra, mais prática. A empresa de Sam Altman acaba de lançar o ChatGPT para finanças, um singelo aplicativo que lê as planilhas do banco, cruza com as grandes bases do mercado, faz análises e entrega o relatório no template da casa. É o trabalho do analista júnior, aquele que vira a noite na Faria Lima para um dia chegar a sócio. Dias depois, a Anthropic lançou o dela para o assessor de investimentos, o cara que cuida da grana de quem tem o suficiente para investir.
Por fora, uma elimina o estagiário e a outra ajuda o assessor. Por dentro, ambas repetem a jogada que mexeu com o propósito de vida dos grandes matemáticos, com uma vantagem: lá a pauta vazou de soslaio; aqui ela é digitada o dia inteiro, em cada mesa do mercado, por quem tem mais interesse em acertar.
Quais os rumores macroeconômicos, quais as empresas quebrando silenciosamente, quais as teses de investimento em ascensão, tudo o que ficava espalhado por milhares de cabeças passa a convergir em duas empresas. É um segundo negócio, que pouco tem a ver com vender cognição de máquina e já se estende ao ChatGPT para direito e à nova ferramenta de dados da Anthropic: a justificativa que faltava para os valuations trilionários, com a vantagem de que os chineses estão longe de competir em mercados regulados.
O que sempre distinguiu o especialista foi saber o que perguntar, mais do que responder. Quando isso sai do campo e vai parar nas mãos dos donos dos modelos, sobra à especialização a execução, justamente o que os seus agentes fazem melhor.
Furar paywall foi a primeira fase do negócio, a dos empréstimos e, em alguns casos, assaltos à propriedade intelectual. Ser o panóptico de todos os campos é a segunda, começando pelo que paga melhor. Faz sentido. Afinal, o que é assaltar um banco perto de fundar um?